sábado, 30 de dezembro de 2017

O círculo

Um ano chega ao fim. Uma vida chega ao fim. Um ciclo chega ao fim. É assim, vivemos numa roda constante e pensamos, às vezes, que podemos escapar dela. Ledo engano. A vida é sim, circular, e todos os elementos que entram nela, giram com você durante um determinado tempo para sair, logo depois, às vezes sem notícia prévia, às vezes, deixando pequenos recados, que nem sempre entendemos.
Temos a tendência de nos postarmos no parapeito da janela e observarmos, com isso achando que ser expectador é mais fácil, entretanto, os enredos vão nos abraçando de tal forma que, sem perceber, já estamos na roda do outro, fazendo parte. Somos assim, o elemento que fez parte do círculo de alguém.
Muitas vezes as coisas se dão de forma tão sutil que nem lembramos quem chegou primeiro na roda do outro e isso é mágico.
Quantas vidas já fizeram parte da nossa vida, seja por um breve momento, seja por longos anos. O que nos trouxeram, o que nos levaram. O que levaram de nós...
Um ano chega ao fim para outro chegar. A roda é gigante, até sairmos dela.


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Mudanças diárias

É interessante perceber mudanças sutis e às vezes, nem tão sutis assim, no meu corpo, no meu jeito, no meu dia-a-dia e elas se revelam não só muitas, como também, significativas.
Percebo, por exemplo, que, como nunca antes, cada vez mais, adoro ficar no sossego do meu lar, mesmo que isso signifique fazer nada ou ao contrário. Também que me enjoam certos hábitos alheios ou ficar perto por demasiado tempo, de pessoas que são "alaridas" (termo criado por mim agora), o que, de certa forma, me torna impaciente (mais do que já sou, claro) e querendo sair dali.
Tudo isso me leva a crer que, SIM, mudamos. Não sei se pra melhor ou pior, não entrarei no mérito, mas, mudamos e muito, com o passar dos anos.
Cultivo plantas, se eu parar pra pensar, sempre gostei de fazer isso. O bacana é que agora que estou escrevendo sobre, minha memória tem um lampejo e me diz isso. Quando eu era criança já plantava tomates e alfaces e talvez mais algumas outras.
Todavia, além de continuar a gostar de plantar as folhas, como chamo, também descobri um outro tipo de planta, as suculentas (elas são tão lindas), temperos e rosas; dedico mesmo um tempo pra isso e aí onde mora uma coisa chamada mudança.
Mudamos mas, resgatamos gostos que ficaram muito lá atrás e cultivamos com um "sabor" diferente. Paramos uma hora que seja do nosso dia para fazermos aquilo que tomamos gosto.
Vejo também que não é que só agora não gosto de ficar em companhia de pessoas que são agitadas ao extremo, inquietantes ao ponto de me inquietar, nunca tolerei muito, tanto que procurava o silêncio do meu quarto para aquietar a mente.
Então a pergunta que me faço agora é: será que mudamos apenas agora que a maturidade chega ou retomamos o que sempre foi nosso e não nos dávamos conta??
Chego mesmo a concluir que é metade, metade. Em alguns aspectos sim, existe uma tomada de consciência do que sempre fomos e não tínhamos percebido; e, a outra metade, sim, mudamos. Somos seres adaptáveis e mutáveis pois as situações nos leva a isso. O tempo nos leva a isso. Que bom!